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Pensar a residência artística como um processo de criação e experimentação, baseado no deslocamento de espaço alterando a percepção dos residentes, leva-nos a refletir sobre a importância da residência para a formação e compartilhamento da arte enquanto experiência viva, que afeta e se deixa afetar pelo seu entorno. A residência passa a ser um espaço singular, onde o artista pode pensar sobre sua própria arte, discuti-la, vivenciá-la e recriá-la em suas múltiplas possibilidades no contato com o novo, diferente e diverso. Abre-se aqui a possibilidade de desconstrução e reconstrução de seu fazer artístico. Continuamente, as investigações artísticas edificam métodos de cocriação, o que culminará na materialização de um “produto coletivo”, trazendo à luz toda a trajetória vivenciada, tanto em âmbito individual quanto social.
Assim, o cerne do projeto é a descentralização de iniciativas em dança e a viabilização de intercâmbio cultural em formato de imersão, o que aponta para a importância de investigar o que vem sendo pesquisado por profissionais da arte em cada região do Brasil, enquanto se oferece um ambiente propício para a criação e o fortalecimento de redes afetivas entre pessoas de múltiplos contextos culturais, sociais, políticos e profissionais.
E O DIA A DIA DA RESIDÊNCIA ?
A casa que iremos receber os residentes é simples, alguns quartos compartilhados e estrutura para camping, a imersão terá café da manhã, almoço e jantar todos os dias, e se inicia com um ritual de abertura e aproximação dos integrantes da residência, no qual os conteúdos para pesquisa e criação serão mapeados e aprofundados em metodologias da Dança Improvisação, dança butoh, dança líquida e educação Somática. A partir disso, compartilharemos metodologias de ensino aprendizagem em dança voltadas para as práticas de criação em Site Specific na natureza e ambiente urbano, visando a integração com a comunidade. A residência é dividida em 3 níveis, 1º Introdução as águas, 2º Butoh e cura através da água e 3º A performatividade sub aquática e terrestre. As atividades que envolvem o grupo de residentes incluem vivências no bioma Cerrado e apresentações na cidade de Colinas do Sul, cujas filmagens e registros fotográficos servirão de material para o documentário e catálogo digital.
QUEM MAIS É BENEFICIADO ?
Com a sua colaboração o alcance dos produtos resultantes da residência transpassa o âmbito local, regional e federal. A cidade de colinas do sul que possui 3.382 mil habitantes, cidade escolhida por ser um lugar ainda pouco acessado na chapada dos veadeiros e por possuir uma grande bacia hidrográfica em volta da região o que torna a nossa ligação com as águas mais latente. As oficinas e apresentações desenvolvidas na cidade de Colinas do Sul democratizam o acesso a bens culturais, ao incluir um público que tem pouco acesso à arte presente nos grandes centros urbanos, além de incentivar a utilização de espaços públicos pela população. Dedicaremos 1 dia inteiro da residência para uma parceria com as escolas locais, onde iremos desenvolver atividades de arte/educação que mesclam dança e ecologia com as crianças e também desenvolver um momento de autocuidado e imersão nas águas com as mães, através das terapias aquáticas. Além disso, o bioma Cerrado será peça central nas pesquisas realizadas na natureza, exaltando a importância da proteção ambiental, tendo em vista o avanço das fronteiras agrícolas e as extensas queimadas registradas nos últimos anos, que ameaçam o equilíbrio e a sucessão desse ecossistema. Vale ressaltar que o site specific na natureza além de ser o momento quando filmamos o documentário, também tem um caráter de apresentação de performance tendo em vista que os lugares vivenciados são turísticos. A criação e apresentação artística em ambiente natural é algo que a equipe CORPAS tem experienciado nas pesquisas e vemos a importância desta vivência ao nos percebermos permeando a fronteira entre o público e o artista. Quando as pessoas param de fazer ações comuns e são capturadas no espetáculo instantâneo proposto pela improvisação momentos mágicos acontecem. A equipe do Corpas pretende expandir o processo da residência para os colaboradores e públicos das redes sociais, criando assim uma extensão, onde qualquer pessoa poderá acompanhar ao vivo os momentos de performance e rodas de diálogo que acontecerão durante os 15 dias de imersão. Durante a execução do projeto pretendemos desenvolver 2 rodas de diálogo por videochamada com os colaboradores interessados da campanha, para compartilhar como está sendo o processo de criação e para desenvolver debates sobre os fazeres artísticos descentralizados, a autogestão, ecologia, economia criativa e outras temáticas que permeiam a nossa residência artística. Os colaboradores também terão acesso em primeira mão ao Documentário produzido e agradecimentos nos créditos do DOC.
E DEPOIS ?
Vivenciando o CORPAS, cada residente poderá multiplicar os conhecimentos onde vivem, permitindo a proliferação de ferramentas artísticas atuais de acordo com as necessidades e possibilidades de cada cenário geográfico. O documentário tem como eixo de desenvolvimento, a investigação da performatividade em paisagens naturais e a relação corpo natureza como uma tentativa de reafirmar a ligação com a terra como extensão da nossa carne. Tendo o site specific como um território familiar que permite imaginar uma infinidade de configurações nas idéias, corpos e paisagens. Diante de um cenário de destruição e extinção da biodiversidade do nosso país, o documentário vem como forma de alerta, mostrando uma forma sensível de ser unidade com a natureza. O entrelaçamento de linguagens criativas que darão vida ao doc estará em futuras inscrições em mostras e festivais que contemplem o audiovisual no cenário brasileiro e internacional.
O documentário surge como filme informativo e didático representando de forma subjetiva e artística a realidade vivida nos 15 dias e também a realidade do contexto em que cada artista se encontra trazendo questões sobre as quais existam interesses sociais e debates em diversas áreas do conhecimento.
O catálogo digital, que será disponibilizado gratuitamente no site do projeto, documentará a relevância do formato de residência para cocriações artísticas que integrem grupos heterogêneos, podendo servir de inspiração para outras iniciativas.
A equipe do CORPAS não visa lucro algum com a residência, toda equipe é voluntária. A casa que receberá os residentes terá estrutura simples, considerando a falta de orçamento, a alimentação será feita de forma autogestionada, e os transportes para as saídas de campo feitas a pé ou através de caronas (meio de transporte muito funcional na Chapada dos Veadeiros). Se o financiamento coletivo atingir as metas previstas os residentes terão acesso a uma Kombi para transporte, alimentação vegetariana e estadia gratuita. Caso contrário os custos serão divididos entre todos os residentes.

A residência artística CORPAS surge como desdobramento de uma experiência que ocorreu na Chapada dos Veadeiros em 2018 intitulado Ressonâncias da dança, projeto financiado pelo Fundo de Cultura do Estado de Goiás - 2016 SEDUCE e Governo de Goiás, iniciativa que já gerou três outras residências com um formato semelhante, porém, todas sem financiamento devido ao sucateamento das políticas públicas diante do cenário político atual. Para materializar a CORPAS 2020 a 3º Residência Artística realizada pela Possível Coletiva estamos criando esta campanha de financiamento coletivo via CATARSE. As 2 últimas edições contaram com orçamento zero e apesar de um resultado muito positivo a equipe se deparou com vários obstáculos durante as produções. Falta de alimentação, dificuldade de locomoção para as saídas de campo, falta de equipamento para melhor qualidade dos registros. Por esses motivos sua colaboração é muito importante para viabilizar a residência com o mínimo de suporte para a equipe e os residentes.




